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Dia das Crianças: veja fraudes que pequenos aprontaram “sem querer querendo”

Por 10 de outubro de 2019 Nenhum comentário

Feliz Dia das Crianças, queridos leitores do Blog da Konduto! Sabemos que muito provavelmente ninguém com menos de 12 anos acompanha os nossos conteúdos, mas acreditamos que…

  • Item um: ainda existe uma criança dentro de você.

  • Item dois: você tem filhos, netos, sobrinhos ou priminhos e vai presenteá-los neste 12 de outubro.

Bom, além de tudo isso, vamos aproveitar esta data tão especial para lembrar que – acredite se quiser – baixinhos e baixinhas foram tema central de um artigo ou outro que publicamos por aqui de vez em quando.

Mas calma! Não postamos (ainda) nenhum caso em que uma criança conseguiu clonar um cartão de crédito ou vazou dados de uma grande empresa. Os pequenos e pequenas vêm parar aqui porque estão se especializando em provocar fraudes amigas usando – às vezes sem querer, às vezes não – os cartões de crédito dos pais para compras para lá de bizarras.

Vamos ver ou rever alguns casos?

Brinquedinhos (muito) caros

Um caso que repercutiu ao redor do mundo no início deste ano – e inclusive mereceu um post aqui no blog – aconteceu na Austrália: um garoto de 7 anos queria uma edição especial do boneco “Billy Banana” e ouviu um não da mamãe por causa do preço – 2,5 mil dólares australianos (quase R$ 7 mil).

Pobre mamãe. Mal sabia ela que dias depois a própria criança encontraria o tão sonhado brinquedo à venda em um marketplace, desta vez por 10 mil dólares australianos, ou o equivalente a R$ 28 mil. Como os dados do cartão da mãe estavam cadastrados no site, o menino acabou concluindo a compra com enorme facilidade.

A mulher só tomou conhecimento da transação no dia seguinte, quando recebeu uma mensagem e, como ela mesma disse, “quase caiu da cadeira”. Depois de muito insistir, a australiana teve o pagamento estornado.

Mesma sorte não teve um casal norte-americano perto do Natal de 2016, quando a filha deles de seis anos aproveitou que a mamãe tirava uma soneca, pegou o celular e conseguiu comprar 13 brinquedos no site da Amazon. Detalhe: ela inclusive usou a digital da mãe para desbloquear o celular!

Os produtos, todos relacionados ao universo Pokémon, custaram bem menos que o caso da Austrália – US$ 250 dólares, o que na cotação de hoje ultrapassa R$ 1 mil – mas os pais só conseguiram devolver quatro. Sorte da menina, que ficou com os demais…

Quer um sofá? Ou que tal um carro?

Há também o registro de muitos casos nos quais a criançada compra uns presentes que eles ou elas necessariamente nem teriam tanto interesse. Iti malia, que fofinhos!!

Um episódio bem recente também aconteceu nos Estados Unidos, na cidade de San Diego. Rayna, de 2 anos, estava brincando com o celular da mãe e, graças à tecnologia de compra com 1 clique, foi capaz de comprar um sofá de US$ 430 (pouco mais de R$ 1.700).

Como é praxe nestes episódios de fraudes amigas, tudo isso virou aquela confusão. A mãe não entendeu nada quando, dias depois, recebeu uma mensagem enquanto trabalhava dizendo que o sofá que ela comprou estava saindo para a entrega. Seguiu-se uma pequena batalha até ela conseguir devolver o móvel sem custos.

Voltando um pouco no tempo, outro fato inusitado ocorreu em Portland (EUA), quando uma bebê de 1 ano conseguiu comprar um carro. Sim, um carro.

A princípio este fato pode assustar, mas a aquisição até que saiu bem barata – apenas US$ 225. O modelo em questão era um Austin Healey Sprite dos anos 1960, o qual a menina comprou pelo site Ebay após uma combinação acidental de cliques enquanto – adivinha – brincava com o celular do pai.

O homem, que vinha pesquisando carros antigos na internet para poder restaurá-los, no fim decidiu não só ficar com o veículo, como recuperá-lo para dar de presente para herdeira no futuro.

Hora de viajar (ou não)

Que tal um roteiro de dois dias em Paris com passagens, hospedagem, ingresso VIP para a Torre Eiffel e ainda entradas para o parque Disneyland Paris? A Susan, de 9 anos, comprou o passeio para a família toda – cinco pessoas – quando também estava mexendo no celular do pai na casa deles em Lincolnshire, Inglaterra.

O papai em questão, senhor Wilson, só soube do estrago quando viu na sua conta um débito no PayPal no valor de 1.000 libras (cerca de R$ 5 mil na cotação atual). Ele conseguiu reaver o dinheiro e as férias não aconteceram. “Não acho que a Susan tenha percebido a enormidade do que ela fez”, disse o homem.

Um australiano de 12 anos, por outro lado, fez uma enormidade conscientemente. O garoto, que não teve a identidade divulgada, ficou triste porque a mãe não o deixou viajar para a paradisíaca ilha de Bali, na Indonésia, e fez aquelas coisas que parecem de filme: pegou o cartão de crédito dela, foi para o aeroporto, conseguiu embarcar (pelo sistema de self-check-in e em uma companhia que autoriza garotos de 12 anos a voarem desacompanhados) e realizou o próprio sonho.

O menino contou que só foi abordado uma vez, ainda na Austrália, para mostrar documento e passaporte. No hotel em Bali, disse que estava esperando a irmã e foi autorizado a ir para o quarto. A brincadeira acabou quando a escola entrou em contato com a família dele para contar que havia faltado à aula.

“Ele não sabe ouvir não”, disse a mãe, Emma, que pegou o avião a Bali e trouxe o filho de volta. “Choque, desgosto… Não há palavra para descrever o que sentimos quando soubemos que ele foi para o exterior”, completou. O menino também deu entrevista. Sabe o que ele disse? “Foi muito legal, pois eu estava a fim de viver uma grande aventura”.

R$ 30 mil no Fifa, 110 churros…

Os jogos on-line também são um perigo na mão da molecada. No Canadá, um rapaz de 17 anos foi capaz de torrar quase US$ 8 mil (valor que ultrapassa R$ 30 mil) em créditos no Fifa. O pai levou o prejuízo e prometeu que o filho nunca mais vai ter um videogame. Na China, uma história bem mal explicada – a mãe suspeita até da participação de hackers – terminou de forma parecida: o filho dela de 11 anos teria gasto 100 mil yuans (mais de R$ 50 mil!) em um mês nos games. Longe dali, na Inglaterra, um garoto de 10 anos deu de “presente” para a mãe um prejuízo de 1200 libras em compras de créditos no Fortnite.

Você deve estar se perguntando “e o Brasil”? Claro que por aqui vira e mexe também há casos assim. Os últimos a terem bastante repercussão coincidentemente envolveram comida delivery. No Rio de Janeiro, o garoto Bernardo, de 4 anos, comprou 110 (isso, cento e dez!) churros de chocolate pelo celular da mãe, que teve muito trabalho para convencer o entregador de que aquilo foi um acidente. Já no Pará, o pequeno Pedro, também de 4 anos, foi capaz de encomendar 11 cheese bacons. Neste caso, a mãe aceitou ficar com os lanches – e chamou a família inteira para ajudar a comer.

O que acontece?

Bem, vimos que o desfecho destas histórias envolvendo compras bizarras varia conforme o caso e mesmo o país. Falando especificamente do Brasil, o consumidor por lei pode solicitar o estorno de qualquer transação realizada com cartão não presente – inclusive on-line – e o e-commerce, a princípio, ficaria com o chargeback.

No entanto, se o varejista é capaz de provar que a transação foi fruto de uma fraude amiga (e não um golpe deliberado), pode haver uma disputa sobre a responsabilidade do chargeback, um processo muitas vezes moroso no sentido operacional e que, como vimos acima, ainda pode prejudicar a imagem do e-commerce em casos de grande repercussão na imprensa ou redes sociais – aquela sensação como “que loja malvada, não quer devolver o dinheiro da pobre mãe”.

Crianças também são alvos!

Não podemos encerrar este texto de Dia das Crianças sem ressaltar que a criançada não está relacionada à fraude apenas nestes casos bizarros de fraudes amigas. Afinal, desde que o mundo é mundo, muito adulto mal-intencionado tenta levar vantagem aproveitando a ingenuidade dos pequenos – tem até ditado que diz que algo “é mais fácil do que roubar doce de criança”.

Para ficar em apenas um exemplo, confira a imagem abaixo, que também valeu um texto especial aqui no blog: alguém decidiu usar a Turma da Mônica para tentar convencer os meninos e meninas a revelarem o dado do cartão das mães.

Mas será que deixar celulares longe dos filhos é a solução para evitar problemas como nos muitos casos que citamos acima? E que tal se a gente começasse a educar as crianças sobre os riscos?

“Nossas crianças estão cada vez mais conectadas e envolvidas com os processos de pagamentos. Temos que ensiná-las, cada vez mais cedo, sobre os perigos que moram aí”, explica Susan Pastega, diretora de risco do Ebanx, em uma postagem do Instagram “Fuja da Fraude”.

Além de especialista em risco, a Susan é mãe de um menino de seis anos. Por isso, nada melhor do que compartilharmos um caso real que ela dividiu conosco para encerrarmos esta reflexão sobre as crianças e a fraude.

 

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Cilada! E o alvo são as crianças! Hoje é terça-feira, dia de cilada, os golpes que estão acontecendo ultimamente por aí! Eu recebi este da turma da Mônica de quatro pessoas diferentes nos últimos dias e dado a velocidade, me parece bem recente. O mais terrível? Voltado ao público infantil. Se tem esta origem e este objetivo mesmo, ou se é somente uma piada sem graça, nunca saberemos. O que temos como ter certeza é que nossas crianças estão cada vez mais conectadas e envolvidas com os processos de pagamentos. Temos que ensiná-las, cada vez mais cedo, sobre os perigos que moram aí. Meu filho tem 6 anos. Ele está quase alfabetizado e já baixa aplicativos no seu tablet, se aventurando em tentar escrever coisas nas buscas: “mamãe, eu escrevi certo aqui na lupinha?”. Uns meses atrás ele queria baixar um aplicativo e não conseguia. Fui ajudar e percebi que ele estava tentando baixar um jogo pago, e por não ter cartão vinculado à sua conta no tablet, o processo não ia pra frente. Avaliei o valor, e comprei o jogo. Expliquei para ele o mecanismo básico para tal: teria de pegar o cartão, o mesmo que eu pago as compras no mercado e inserir os números no tablet. Por varias vezes usei o conceito de o cartão “estar no tablet”. Eu fiz o bloqueio do uso do cartão, o que exigiria senha para fazer o download de qualquer aplicativo pago. No domingo passado ele me chamou, pediu para “tirar o cartão do tablet” pois ele não estava mais brincando com aquele jogo. Mesmo com o bloqueio eu aproveitei e deletei meu cartão da conta dele. Devolvi o tablet e ele percebeu que o jogo continuou lá. Curioso, me fez inúmeras perguntas, e eu tentei explicar tudo na linguagem que ele entendesse. Ele pediu pra ver o cartão que estava no tablet, expliquei o conceito do “virtual”, entre outras coisas. Eu? Achei o máximo! E ele, entendeu tudo? Duvido. Mas foi o começo. E foi importante ele perceber e vincular que parte da experiência de brincar está relacionada ao pagamento, hoje em dia. Que o cartão, quer seja físico, quer sejam os números que o representam, é dinheiro. E que temos que ter cuidado com o nosso dinheiro. #fujadafraude #cilada

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Eduardo Carneiro

Autor Eduardo Carneiro

Eduardo é jornalista formado pela Cásper Líbero e trabalhou em sites como Gazeta Esportiva, Terra e UOL ao longo da carreira. Na Konduto desde junho de 2019, escreve sobre as novidades do mundo da fraude e arrisca imitações de celebridades.

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